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Episódio V - Drs. e Balões



Eram 11:56, quando santos e Abel sairam do Táxi.
Entraram no edíficío do Ministério com o mesmo respeito com que se entra num santuário. Era um velho prédio, restaurado, que tinha custado 6 vezes o previsto. Quiseram pôr uma placa dourada frisando: “que era o edificío mais caro do País”, mas uma mente iluminada aconselhou a não o fazerem.


Depois das formalidades de identificação, apanharam o elevador para o 10º piso. “O piso dos Deuses”, pensava o Santos. Abel levava com ele a velha pastinha de cabedal do tempo de escola. Nessa pastinha tinha levado imensos trabalhos que lhe deram a magnífica media de 10. Já era um fetiche. Só lhe podia trazer sorte. No seu interior, iam uns papéis, o insuflável e a morcela. Era tudo o que precisava para apresentar uma ideia genial.

Sorria mentalmente, porque só ele sabia fazer o truque. O Chefe nem tinha ideia como se manipulava um Secretário de Estado a morcela e o balão.

Chegados ao 10º piso, uma secretária (giraça) vei receber os dois visitantes. Caminharam por um corredor enorme. Santos pensou, por momentos que não chegaria ao fim antes da hora de almoço.
A jovem secretária, com um sorriso, abriu a porta da sala de reuniões e fez sinal para entrarem.

A sala, era maior qua a casa do Santos e do Abel juntas. Pensaram ambos: “Isto é que é um País!”. Para eles, a qualidade do País, media-se na dimensão do espaço gasto pelos políticos.
Ensaiaram uns lugares para se sentarem. Como não sabiam onde o Dr. se ia sentar ficaram espectantes…
Santos nunca podia ficar depois do Abel. Abel pensava: “tenho de entalar o chefe.”

A espera foi longa.

Uma hora depois, Secretário de Estado entrou.
“Desculpem-me. Para vos receber hoje tive que fazer um esforço enorme. Sentem-se” disse ele com um sorriso de cartaz político, antes de ser vandalizado.


O Eng Tomaz, com Z, era uma pessoa que gostava de brilhar. Era amigo próximo do Ministro, e como tal da maior confiança. Vestia impecávelmente, falava línguas, entrava perto da hora do almoço e raramente ficava depois das 15:30 no gabinete. Só podia significar organização.

"Então são vocês a “task force” deste Ministério?"perguntou...

Com esta frase, o Santos caiu de 4 e o Abel piscou os olhos repetidamente com medo que o chefe se referisse às forças da "tasca".

“Caro Santos...temos ideias giras?" perguntou o Dr.
“Ó, Sr Dr. temos uma ideia espectacular.."
“Desculpem interromper…não querem café, pois não? Dª Odette, traga-me um café, com adoçante” e continuou "..."ora bem, não era de esperar outra coisa..Conte-me tudo. Estou com um pouco de pressa"

Santos soltou o Abel.

"Aqui o Sr. Abel, o meu funcionário, vai explicar a história dos Marcianos"
"Marcianos?" espantou-se o Secretário.
Abel até sentiu o estômago enrolar-se...
"Sr. Dr., dos Meridianos..."ganiu ele...e passou a explicar.

Abel, num acto confiante, tirou a morcela e disse: ”Isto é Portugal. Daqui partimos para algo muito mais inovador. Algo mais grandioso…mais além. Chega de sermos pequenos”….e assim continuou a apresentação durante uns minutos...
Fora brilhante, na manipulação do balão, da morcela e de todo o conceito geral.

"Hmmmm”...disse o Secretário de Estado,...”Uma ideia inovadora. Bem pensada. A apresentação foi quase performática. Os meus parabéns.” disse ele com um sorriso.
“Mas isto requer valores exorbitantes decerto….Já temos noção de custos?"
"Já temos um organismo a trarar disso", respondeu Santos. Não era mentira...o Inácio era um organismo vivo..aliás vivaço, quando se aguentava nas pernas.

"Um organismo de Estado?"
"De Estado"...ébrio, claro, pensou o Santos.
"Preciso de saber valores, para avaliar a possibilidade deste projecto...Parece-me um projecto arrojado. Vêm ao encontro deste novo Governo. Mostrar que somos capazes de fazer o impossível. Digam-me coisas no dia....” consultou a agenda e verificou que tinha todos os almoços marcados até quase ao final do mandato, mas as tardes estavam todas livres, até às 15:30, uma vez que as manhãs, não eram para usar...."Digam-me algo até Sexta-Feira". Disse, com um ar empreendedor. "Mandem-me por e-mail".

O secretário de Estado levantou-se com uma pose de filme publicitário a roupa masculina, apertou a mão ao Santos e ao Abel disse: "Não lhe aperto a mão porque o médico mandou-me cortar nas gorduras". Com um sorriso afastou-se de cena como o fantasma da Ópera.

Para o Santos e Abel, tinha sido uma hora em cheio. Tinham tocado o céu...

"Abel, quem é o Emílio?"
"Qual Emílio, chefe?"
"O que vem cá trazer o trabalho na sexta."

...


3 Comments:

Anonymous Girino said...

Muito interessante.

7:41 AM  
Blogger Mushu said...

Eh pá, então e quando chega o Emílio?
Dasss, detesto ficar com histórias a meio.

4:39 PM  
Blogger Mushu said...

despacha lá isso ca malta quer ler...

4:40 PM  

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